Elas que Voam compartilham experiência em tempo de distanciamento social

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Foto: Rede Social Elas que Voam

Nossos treinos aconteciam no Ibirapuera, duas vezes por semana. Agora com a nova situação, estamos disponibilizando treinos no nosso Instagram para o pessoal fazer de casa.

Corrida de Rua, ou você pratica ou certamente conhece alguém que faz parte dessa modalidade do atletismo muito popular pelo mundo e praticada em sua maioria por atletas amadores que estão em busca de qualidade de vida. Formado em 2017, o grupo Elas que Voam é uma assessoria esportiva que conta com mais de 100 participantes e sua administração é feita por mulheres que praticavam atletismo e decidiram compartilhar esse amor pela corrida.

“Nesses quase três anos, nosso grupo cresceu muito, e hoje temos uma grande família do, Elas Que Voam, com mais de 100 participantes. Criamos esse espaço voltado para o empoderamento através da corrida. Apesar da liderança 100% feminina (Marcella, Renata e Veronica), nosso grupo é aberto para todos, homens também são muito bem-vindos. Nosso intuito é de difundir uma vida mais saudável através da corrida”, explicou Marcella Cassemiro

No dia 14 de março, a Federação Paulista de Atletismo (FPA), diante da orientação da Organização Mundial da Saúde, em meio à crise gerada por conta da pandemia causada pelo coronavírus emitiu um Comunicado Oficial suspendendo os Permits de Corrida de Rua. Assim como, segundo especialistas, o distanciamento social é a melhor forma para conter o avanço do COVID-19.

“Nós estamos incentivando o nosso público a treinar dentro de casa. Estamos postando, em nosso Instagram, diversos treinos que todos conseguem acompanhar em casa, sem precisar de material específico, apenas o peso do próprio corpo é suficiente. Além disso, estamos sempre de olho nas recomendações dos especialistas e usamos como diretrizes nas nossas orientações”, contou Renata Junko, treinadora do Elas que Voam.

Impacto com o cancelamento das provas

Com o cancelamento de provas, nossos alunos vão ter que reprogramar e reestruturar o planejamento de treinos. De acordo com as novas datas das provas, que provavelmente vão ser só no segundo semestre, eles vão ter que se organizar para poder treinar e se preparar com o tempo disponível até o dia da corrida.

Vai ser um ano bem difícil para todos. No nosso caso, a maioria é atleta amador, então é uma questão de ter paciência e entender que é uma situação atípica. Quando comparado com atletas profissionais, que tiveram a Olimpíada cancelada, para esses vai ser um pouco mais complicado para resolver.

Motivação x Incertezas

Para nós (Elas que Voam), que somos um grupo de corrida, também é complicado, pois ficamos sem ter nossos alunos de forma presencial e muitos vão deixar de treinar nesse tempo, porque não são todos que conseguem ter a motivação de treinar sem a presença de um professor e outros simplesmente não gostam de outras atividades que não seja a corrida.

Para os organizadores de corrida também vai ser uma grande perda, porque vão ser muitas corridas canceladas e adiadas, projetando um grande número de provas para o segundo semestre. Mesmo assim, é incerto dizer uma estimativa de quando as provas voltarão à normalidade, porque a corrida de rua em si aglomera muitas pessoas e provavelmente terão que aplicar outras regras como adaptação.

Então, para os organizadores, vai ser um ano com muitos desafios e ninguém sabe como vai ser daqui pra frente. As pessoas vão ter que se reorganizar, reestruturar treino e tentar participar das provas que vão acontecer esse ano para não perder o ritmo. O impacto vai ser sentido, também, de forma muito individual, cada um vai ter uma motivação (ou, até mesmo, uma dificuldade) diferente para retornar após a quarentena.

Importância dos Permits emitidos pela Federação Paulista de Atletismo

Os permits são um requisito extremamente necessário, porque mantém o nível da prova e tem os critérios que especificam o que cada prova precisa cumprir para que seja uma prova de qualidade e que o resultado também seja homologado. Mas os permits são algo que os corredores, ao fazerem a inscrição em uma prova de rua, não têm conhecimento. Não é algo tão bem divulgado e, muitas vezes, não há um interesse por parte do corredor em saber.

Foto: Renato Tatu

Normalmente, os que estão mais a par são os corredores com mais experiência e que querem fazer um índice para alguma prova internacional ou querem melhorar sua marca pessoal. Essa costuma ser uma preocupação das pessoas que querem participar de provas que exigem um tempo oficial, pois elas precisam que as provas tenham permit.

Conversando com diversos corredores de rua, eles não associam o esporte que eles praticam ao Atletismo. Por que você acha que isso acontece?

Muitos brasileiros não têm cultura esportiva. Na maioria das escolas, ensinam-se muito sobre esportes coletivos, como futebol, vôlei, basquete e handebol. O atletismo ainda é pouco difundido e divulgado, então são poucas pessoas que tem algum contato desde pequeno. Além disso, muitas vezes, o atletismo é relacionado somente com provas mais curtas, de velocidade ou outras modalidades como lançamento e salto, que são todas feitas dentro do estádio. A corrida de rua, como a maratona, por exemplo, raramente é relacionada com o atletismo e a falta de cultura esportiva com certeza influencia nisso.

Hoje vemos muitas assessorias e academias dando consultas online, é claro que não é a mesma coisa, mas você acha que com o isolamento surge uma aceitação maior desse modelo e uma nova oportunidade no mercado para vocês do Elas que Voam?

“Com certeza é uma oportunidade e também é uma maneira de se reinventar e poder continuar com nosso trabalho mesmo à distância. Nós do Elas que Voam continuamos dando assessoria para as pessoas, ajudando e passando os treinos de forma online. Além disso, acreditamos que, depois que tudo passar, possivelmente haja uma demanda por treinos virtuais, para aqueles que nem sempre podem comparecer nos nossos treinos consiga acompanhar de outra forma. Nós estamos tentando aprender e nos adaptar a isso, e, quem sabe no futuro, não possamos levar adiante, além dos treinos presenciais”, disse Veronica Grether.

Nós falamos de impacto, como está a sua relação com os patrocinadores com essa pausa nas provas?

Com todo esse cenário de incerteza, muitos serão impactados, pois não sabemos quando e nem como vai ser a volta aos treinos presenciais e das provas de rua. Porém, como somos um grupo com foco em encontros para treinos de corrida, não temos uma relação direta com as provas de rua, então essa pausa nas corridas de rua não influencia diretamente no nosso grupo.

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